Experimento australiano atinge 44,2 Terabits por segundo e indica que essa tecnologia avança cada vez mais
Alta velocidade e estabilidade da comunicação via internet nunca foram tão desejadas no mundo todo quanto nos dias atuais. Com o aumento repentino de profissionais em home office e pessoas se comunicando com familiares e amigos a distância, o interesse pelo assunto está mais difundido.

Hoje, não só as grandes companhias passaram a ter a necessidade de aumento de capacidade de tráfego de voz, vídeo e dados de alta velocidade, como o usuário doméstico também busca trabalhar no conforto do seu lar, se comunicar ou assistir a filmes de forma rápida e estável.

A boa notícia é que pesquisadores de três universidades australianas, Monash, Swinburne e RMIT bateram o recorde mundial de velocidade de internet ao atingirem a marca de 44,2 Terabits por segundo (Tb/s), de acordo com artigo publicado em maio deste ano pela revista científica de acesso aberto Nature Communications.

Pesquisas no mundo todo tentam demonstrar que a velocidade de comunicação usando fibra óptica tem potencial para evoluir. A informação digital é capaz de percorrer grandes distâncias por uma mesma fibra, usando lasers de cores diferentes, em um ritmo de transmissão de bilhões de bits de dados por segundo.
A tecnologia que garante nível elevado de fiabilidade, por meio de cabos que são feixes de “fios de vidro” puros e revestidos em duas camadas de plástico reflexivo, chegou ao Brasil em 2016 e vem crescendo a ritmo intenso.

O que é possível fazer com a velocidade 44,2 Tb/s?
Em tese, esta velocidade é capaz de baixar 50 filmes Blu-Ray Ultra HD de 100 GB em apenas um segundo.
Baixar mil filmes em alta definição em apenas uma fração de segundo.

Como foi o experimento australiano?
Os testes, que resultaram na marca de conexão de 44,2 Tb/s, foram realizados com uma estrutura de fibras ópticas “escuras” montada entre os campi do Instituto Real de Tecnologia de Melbourne (RMIT) e da Universidade Monash, com distância de cerca de 22 quilômetros entre as instituições.

O novo recorde de velocidade foi alcançado em experimento que usou apenas um único chip óptico integrado.
A instalação utilizada é chamada de microcomb, que substitui o grupo padrão de cerca de 80 lasers encontrados nos equipamentos mais avançados de telecomunicações.

A microcomb é compatível com linhas de fibras ópticas já disponíveis e é capaz gerar linhas de frequências precisas e equidistantes por meio de pequenos chips microfotônicos, componentes com memória de luz e 100 vezes mais rápidos que os chips comuns.

Qual será o futuro da fibra óptica?
A velocidade de conexões de fibra óptica está sempre quebrando os próprios recordes. O que indica que a velocidade de transmissão total ainda não foi alcançada pelas tecnologias existentes. Por isso, as pesquisas devem continuar avançando.

Para se ter ideia, mesmo confinada a um meio físico, a luz transmitida pela fibra óptica proporciona o alcance de taxas de transmissão elevadas, de 109 a 1.010 bits por segundo (cerca de 40Gbps), com baixa taxa de atenuação por quilômetro.

Os estudos ainda buscam descobrir como evitar que a velocidade de propagação da luz no vácuo possa ser mantida. Isso porque, no vácuo, a velocidade da luz poderia chegar a 300.000 km/segundo, caso não sofresse o fenômeno de reflexão quando se propaga no interior de um meio físico.

A expectativa é que futuramente será possível atingir essa velocidade na infraestrutura de fibras ópticas já existentes, ou seja, aumentar as transmissões atuais de centenas de gigabits por segundo para dezenas de terabits sem expansão de estruturas e sem custos adicionais.
O caminho indicado pelas pesquisas é que o desenvolvimento de chips fotônicos integrados permita alcançar essa nova realidade.

O objetivo de pesquisadores no mundo todo é encontrar soluções para conexões de internet mais rápidas que as atuais e que possibilitem preços cada vez mais acessíveis.
O aprimoramento da velocidade e qualidade de comunicação via internet beneficiaria não apenas usuários domésticos, mas principalmente áreas de grande impacto econômico e social: veículos autônomos, transportes, medicina, educação e instituições financeiras e de e-commerce, por exemplo.

Custos
A compatibilidade da microcomb com a estrutura das redes já instaladas representa uma redução de custos na instalação. Um ponto que certamente desperta o interesse por empresas especializadas em serviços na nuvem e internet das coisas, além de todas as vantagens operacionais dessa tecnologia.
A conexão com velocidade de 44,2 Tb/s ainda não tem data prevista para ser comercializada, mas deve chegar primeiro aos centros de processamento de dados, os data centers.
O público em geral precisará aguardar um tempo maior para que a tecnologia atinja preços mais acessíveis.

Por que escolher a fibra óptica?

Conversão de sinal mais eficiente – O sinal é convertido em luz por conversores em LED ou laser que ficam integrados aos transmissores, o que permite o envio e o recebimento de dados com largura de banda.

Possibilidade de interferências menor – Os sinais são transmitidos por meio de luminosidade, a partir de um material que conduz bem a luz: o vidro. Diferentemente dos cabos convencionais que possuem condutor metálico, geralmente de cobre, material que sofre interferências eletromagnéticas.

Maior velocidade – A transmissão por luminosidade garante uma internet muito mais veloz e estável.

Intensidade de sinal – Ao sofrer menos interferências, a fibra óptica permite que o sinal alcance longas distâncias entre a casa do usuário e o provedor sem perder intensidade.

Fácil instalação – Os cabos de fibra óptica têm diâmetros menores e mais flexíveis, pois são feitos de fibras de vidro muito finas, do tamanho aproximado de um fio de cabelo, facilitando a colocação e manutenção.

Custos operacionais – Economia de custos de aproximadamente 70% em instalação e 80% em manutenção.